Portaria Virtual faz novas vítimas - Sindifícios

Caos em condomínio: ambulância tem dificuldade para prestar socorro

Os moradores de um condomínio antigo na região central resolveram contratar uma empresa para a instalação do sistema de portaria virtual. Avaliaram o contrato, consideraram tudo conveniente e custo baixo, e assinaram o acordo sem levar em consideração os riscos desse sistema.

Lamentavelmente, não demorou nem um ano para o caos estar instalado no prédio de 40 apartamentos, dez andares, no bairro da Santa Cecília. Com administração própria, o local possui síndico e o zelador é funcionário contratado. Todos pedem para não ser identificados com receio de problemas com empresa de portaria virtual e também com medo da exposição, que pode os fazer de vítimas de arrastões devido a vulnerabilidade do sistema; contudo, as dificuldades esbarraram até mesmo na rescisão do contrato, que coloca multa abusiva, o que está fazendo os moradores “engolirem” o sistema.  Mas a realidade nesse condomínio é uma só: todos querem se livrar da empresa, que na prática não cumpre com o que foi contratado.

Para o presidente do SINDIFICIOS, Paulo Ferrari: “É importante avaliar muito bem o contrato, até mesmo consultar um advogado para fazer a leitura, pois a empresa ‘vende’ inúmeros benefícios e, no caso de desistência, esconde pontos que praticamente impedem o desligamento”.

Absurdos

Dos maiores absurdos narrados ao SINDIFICIOS por todos os condomínios que já viveram com a portaria virtual, neste uma moradora precisou acionar uma ambulância e os socorristas ficaram 30 minutos na portaria sem conseguir entrar, pois não eram liberados. Tudo está gravado e documentado. Felizmente não aconteceu o pior, mas houve o risco. E se tivesse ocorrido o pior? Haveria responsabilidade civil e criminal? Quem seria o culpado? O condomínio? E os custos desse transtorno, será que vale a pena tanto risco e exposição, com a vida em jogo?

Relatos provam as falhas de acesso, os moradores dizem que normalmente o leitor não capta a digital e, assim, ou mantém o portão travado ou abre ao toque de qualquer pessoa. De acordo com a administradora do condomínio, uma vez um morador de rua entrou no prédio e ficou dentro do elevador. Se esta pessoa entrou, qualquer bandido teria acessado e feito vítimas, assaltado apartamentos, enfim, mais um grande abuso com vidas em risco.

Diante de tamanha complexidade, que ameaça toda a segurança do local, moradores vivem o impasse de como solucionar a questão e se ver livre da empresa. Mas uma coisa é certa: milagres financeiros não existem. Sempre vale a pena investir em funcionários próprios.